Segunda-feira, 20 de Outubro de 1997
Para o nosso tempo, Teresa é uma testemunha eficaz e próxima de uma experiência de fé em Deus fiel e misericordioso, em Deus justo mediante o Seu próprio amor. Ela vivia profundamente a sua pertença à Igreja, Corpo de Cristo. Creio que os jovens encontrem efetivamente nela uma inspiradora para os guiar na fé e na vida eclesial, numa época em que o caminho pode ser dificultado por provas e dúvidas. Teresa conheceu muitos tipos de provas, mas foi-lhe concedido permanecer fiel e confiante, e disto dá testemunho. Teresa sustém os seus irmãos e as suas irmãs ao longo de todos os caminhos do mundo.
Teresa, na sua simplicidade, é modelo de vida oferecida ao Senhor, desde os gestos mais pequenos. De fato, escrevia: “Quero santificar as pulsações do meu coração, os pensamentos, as ações mais simples, unindo-os aos Seus méritos infinitos” (Oração n. 10). Foi com tais disposições de espírito que certo dia se dirigiu ao seu Mestre e Senhor, dizendo: “Peço-Vos que sejais a minha santidade” (Oferta ao Amor misericordioso, Oração n. 6).
Da união com Cristo derivam os frutos de caridade que devemos deixar maturar também em nós. Teresa tinha compreendido bem que precisamente aqui está a origem do amor aberto aos outros: “Quando sou caridosa, é só Jesus que age em mim; quanto mais estou unida a Ele, tanto mais amo todas as minhas Irmãs” (Manuscrito C, 12 v). Nas dificuldades que a vida quotidiana necessariamente apresenta, ela jamais procurava fazer valer os seus direitos, mas estava sempre pronta a ceder diante de uma Coirmã, mesmo que interiormente custasse muito. Eis uma atitude que, em cada época da vida da Igreja, deve ser imitada pelos batizados de qualquer idade e condição. Só a virtude da humildade, que Teresa pediu a Cristo com insistência, torna possível uma autêntica atenção para com os outros.
Unida a Cristo e dedicada aos outros, Teresa sente-se inclinada naturalmente a estender o seu amor ao mundo inteiro. O Papa Pio XI ressaltou este aspecto da sua doutrina espiritual ao proclamá-la, em 1927, “Padroeira das Missões”. Partindo do amor que a une a Cristo, começa a identificar-se com o Bem-amado do Cântico dos Cânticos: “Leva-me atrás de ti” (Ct 1, 4). Depois compreende que, com ela, o Senhor atrai a multidão dos homens, visto que a sua alma tem um intenso amor por eles. “Todas as almas que ela ama são atraídas a segui-l'O” (Manuscrito C, 34 r). Com uma maravilhosa audácia e fineza espiritual, Teresa apropria-se das palavras de Jesus depois da Ceia, para dizer que também ela começa a fazer parte do grande movimento, pelo qual o Senhor atrai todos os homens e os conduz ao Pai: “As Vossas palavras, ó Jesus, são, portanto minhas e posso servir-me delas para atrair sobre as almas, que estão unidas a mim, os favores do Pai celeste” (Manuscrito C, 34 v).
Ao desejar-vos muitas descobertas e alegrias na escola de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Doutora da Igreja universal, concedo-vos de todo o coração a Bênção Apostólica, que faço extensiva a todos os que representais e que vos acompanham espiritualmente. |